É confiável escolher o curso que saiu no teste vocacional?

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É confiável escolher o curso que saiu no teste vocacional?

Assim como a física, química e diversas outras ciências foram se desenvolvendo e se aprimorando ao longo dos anos, a orientação vocacional também passou por mudanças intensas ao longo de sua história. Esse fato está intimamente ligado às modificações da sociedade e às novas demandas que surgiram, principalmente nas últimas décadas.  

Fazendo-se uma análise do desenvolvimento histórico da Orientação Vocacional, deparamo-nos com dois diferentes modelos: Um centrado no resultado e um centrado no processo. O primeiro, e mais antigo, apresenta maior preocupação acerca da definição de uma escolha profissional, avaliando estritamente características individuais e ocupacionais, visando colocar “o homem certo no lugar certo”. É resultado do início da industrialização, onde demandava-se da avaliação psicológica a “previsão” da eficácia do trabalhador em determinada área de trabalho. Este modelo impulsionou o desenvolvimento de diversos instrumentos para avaliar as pessoas, em seus diversos níveis: personalidade, inteligência, interesses, aptidões, dentre outros.

Por volta da segunda metade do século XX, este interesse pela avaliação diminuiu e o processo de orientação tomou novas formas, baseadas principalmente no autoconhecimento. A partir deste momento, valoriza-se profundamente o processo de aprendizagem no momento da escolha. Entretanto, apesar da modificação de sua abordagem, a orientação não excluiu por completo os testes de seu processo, mas sim, lhes deu um novo papel. Assim, estas atividades passaram a ter a função de auxiliar os orientadores, principalmente na primeira etapa, isto é, no momento do diagnóstico.

Toda esta mudança de metodologia ocorreu quando muitos orientadores perceberam que as características individuais e as características da carreira eram insuficientes para traçar e definir o resultado da orientação profissional. Assim, com as modificações no mundo do trabalho, tornou-se cada vez mais complexo atender às demandas do orientando e lhe responder, precisamente, quais eram suas melhores opções profissionais. Então, a orientação foi, aos poucos, tomando um caráter menos diretivo e o uso de instrumentos para avaliar interesses, aptidões e personalidade, buscando traçar um perfil individual e descobrir uma profissão que se encaixe a este perfil, perdeu o sentido.

Neste contexto, surge o Modelo Centrado no Processo, com o objetivo de entender e planejar o procedimento de orientação para cada indivíduo. Por pensar mais nas especificidades de cada orientando, apresenta maior ênfase na aprendizagem durante o processo de escolha e não apenas no resultado deste processo. Assim, existe uma preocupação com variáveis tanto internas quanto externas, que, de alguma forma, influenciam na decisão. Além disso, também há uma modificação do papel do orientador: antes responsável por dar respostas, o profissional passa a ser “facilitador” no processo de decisão.

Além do uso dos testes é necessário conhecer suas características

Portanto, para além do uso dos testes, existe hoje a necessidade em se conhecer outras características do orientando, como o que pensa sobre o futuro, suas expectativas, sua condição psicológica e emocional no momento da escolha, seu nível de informação profissional, seu contexto familiar, dentre tantas outras que o fazem ser único e impossível de generalização. Este cuidado, de enxergar o indivíduo como um sujeito cheio de especificidades, só é possível quando não se reduz o processo de orientação à simples aplicação de inúmeros testes.

Os testes e atividades, desta forma, tomaram um novo papel dentro da orientação profissional. Antes utilizados como fim, hoje são meios de se entender o indivíduo e, partindo daí, iniciar todo o processo de escolha. Atualmente, ainda é comum pessoas esperarem que os testes psicológicos respondam suas perguntas, de forma a colocarem grandes expectativas nestes instrumentos. Por isso a importância em desmistificá-los.

Importante também destacar o papel do orientador enquanto facilitador: Muitas pessoas dão início ao processo acreditando que o profissional terá todas as respostas prontas. Perguntas como “O que devo fazer?” ou “Qual o melhor curso para mim?” são extremamente comuns.  Entretanto, estas respostas deverão ser construídas ao longo do processo e respondidas pelo próprio orientando, cabendo a ele se descobrir e, junto ao orientador, escolher o caminho a seguir.

Pensar a orientação como processo é entender que o mais importante não é o resultado (dos testes ou da orientação profissional), mas sim o caminho percorrido e o que foi aprendido neste processo. Desta forma, quando a orientação profissional se torna um processo de autoconhecimento e aprendizagem, prepara o estudante para a vida e para decisões futuras. Assim, quando se deparar com outro momento de escolha, o orientando saberá exatamente o que fazer.

 

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